segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

[PRÉ-LANÇAMENTOS @EdNovoConceito] DESINTEGRADOS - Neal Shusterman

[PRÉ-LANÇAMENTOS @EdNovoConceito] DESINTEGRADOS -  Neal Shusterman


A Fragmentação tornou-se um grande negócio com poderosos interesses políticos e corporativos em jogo. O governo não quer apenas continuar com ela, como também expandi-la.

Cam foi feito inteiramente com as melhores partes de fragmentados e, tecnicamente, ele é um garoto que não existe. Um verdadeiro
Frankstein do futuro, que luta para encontrar sua identidade e se questiona se um ser como ele pode ter alma.

Quando as ações de um sádico caçador de recompensas ameaçam a causa de Connor, Lev e Risa, o destino de um deles é ligado ao de Cam.

A aguardada sequência de Fragmentados desafia a suposição de onde começa e termina a vida e o que realmente significa viver.


NEAL SHUSTERMAN
Já escreveu mais de 30 livros premiados para jovens e adultos, incluindo Full Tilt, a Trilogia Skinkacker, Unwholly, Bruiser e The Schwa Was Here, que recebeu o Boston Globe-Horn Award como melhor livro de ficção. Ele também escreve roteiros para o cinema e a televisão, como Animorphs e Goosebumps. Pai de quatro filhos, Neal vive no sul da Califórnia.


RESENHA VOLUME UM: FRAGMENTADOS - Neal Shusterman

Resenha: Fragmentados- Só porque a lei diz, não significa que é verdade - Neal Shusterman
Classificação: 5/5 ♥ Favorito 
Editora: Novo Conceito
Skoob

Sinopse: Fragmentados- Só porque a lei diz, não significa que é verdade - Neal Shusterman
Fragmentados - Em uma sociedade em que os jovens rejeitados são destinados a terem seus corpos reduzidos a pedaços, três fugitivos lutam contra o sistema que os fragmentaria .
Unidos pelo acaso e pelo desespero, esses improváveis companheiros fazem uma alucinante viagem pelo país, conscientes de que suas vidas estão em jogo. Se conseguirem sobreviver até completarem 18 anos, estarão salvos. No entanto, quando cada parte de seus corpos desde as mãos até o coração é caçada por um mundo ensandecido, 18 anos parece muito, muito longe.
O vencedor do Boston Globe-Horn Book Award, Neal Shusterman, desafia as ideias dos leitores sobre a vida: não apenas sobre onde ela começa e termina, mas sobre o que realmente significa estar vivo.

''- Você vai sentir uma fisgada no couro cabeludo - informa um cirurgião. - Não é nada com que se preocupar.''

Não sei nem como começar a falar dessa obra! Fragmentados como toda boa distopia sabe mexer com o leitor e o trasportar para uma sociedade cruel e caótica, devo começar dizendo que achei o enredo muito, muito original e genial também. Diferente de outras distopias que utilizam da morte como um grande fim, Fragmentados no seu enredo questiona isso, aqui ninguém morre, só continua a viver de uma forma diferente, vamos ser sinceros, viver fragmentado pelo mundo, com um pedacinho de você em inúmeras pessoas diferentes, é viver? 

''... a única razão para eu estar vivo é que aquela pessoa foi fragmentada.
 - Então - diz Connor -, a sua vida é mais importante que a dela? ''

O livro é ótimo, não é perfeito, ou mesmo a melhor distopia que li na minha vida, mas ele é uma grande distopia, tive logo uma relação de amor e ódio, e não se enganem, amei que ele conseguiu despertar isso em mim, logo que comecei a ler pensei na grandiosidade do enredo, em como o assunto era bom, uma grande matéria prima nas mãos e fiquei com medo de como a história seria apresentada.
Então como o próprio livro TUDO veio em pequenos pedaços, começamos partes por partes a conhecer Connor, Risa e Lev. Ao mesmo tempo que nós apresentavam os protagonistas, nos apresentavam também a história, o como é essa sociedade, como é esse processo de Fragmentação e essa tal de Lei da vida, assim como vários termos e separações muito próprias da história!   

''Em um mundo perfeito, tudo seria preto ou branco, certo ou errado, e todos saberiam a diferença. Mas este não é um mundo perfeito. O problema são as pessoas que pensam que sim.''

Temos três jovens lutando por suas vidas, três jovens lutando para chegarem INTEIROS os 18 anos. 

Uma sociedade que é comandada pela LEI DA VIDA.
Aquela aprovada para colocar fim a uma guerra e que acabou criando um grande câncer no seu mundo. 
Segundo a Lei, a vida não pode ser tocada até os treze anos, mas entre os 13 e os 18 anos, os pais, a sociedade ou guardiões podem escolher ''ABORTAR'' essas vidas. Isso quer dizer, matar só que não matar, a criança ainda estaria vida, tecnicamente viva, já que seus pedaços fariam parte de outros seres humanos, essa criança estaria viva, porém, fragmentada.

Talvez você não possa fazer algo grandioso e importante da sua vida, mas pode fazer parte de vidas que vão fazer coisas realmente grandiosas!

'' Assim como o cemitério de aviões era o Paraíso disfarçado de Inferno, o campo de colheita é o Inferno mascarado como Paraíso.''

Na sociedade atual a FRAGMENTAÇÃO é uma prática muito usada e aceita, campos de colheita são muitos pelo mundo todo. 

''... as pessoas não são completamente boas nem completamente ruins. A gente passa a vida toda entrando e saindo das sombras e da luz. Neste momento, eu estou feliz por estar na luz.''

CONNOR descobre que vai ser mandado para fragmentação, vê na gaveta de seu pai o formulário assinado, assim, ele não vê outra opção que não fugir dali e lutar para se manter inteiro até os 18.

RISA é uma tutelada pelo estado, uma grande musicista, não tem pai ou mãe, vê no professor de música um pai, porém, depois de uma apresentação não muito perfeita, Risa é convocada e avisada que já atingiu seu total potencial ali e que vai ser mandada para um campo de colheita, ela vai ser fragmentada. 

LEV é um dizimo. O decimo filho de uma rica família, ele foi criado para o abate, foi feito para quando fazer 13 anos, ser fragmentado, mas isso para ele é uma missão abençoada por Deus. Lev realmente acredita que esse é seu destino e está FELIZ com isso.

''... se cada parte de você está viva, mas dentro de outra pessoa... você está vivo ou morto?''

Então, Connor foge, Risa é colocada em uma ônibus a caminho de seu destino e Lev está indo feliz cumprir seu papel, até que o caminho desses três se cruzam e nada mais será o mesmo.   

''Você não pode mudar a natureza humana sem antes mudar a lei.''

O enredo é incrível, a escrita é direta, bruta e cheia de críticas. Os personagens são guerreiros, gostei dos três principais, me surpreendi com o papel de cada um na história, os secundários a mesma coisa, cada um com uma história diferente, que toca o leitor, que questiona. A Fragmentação é em si BRUTAL, por vários motivos, mas principalmente por ser uma prática aceita e comum, por ser uma violência velada, os Fragmentários são tratados ''muito bem'' nos campos, até na parte final da operação, é uma mistura de horror e segurança, é totalmente apavorante o processo de fragmentação, passei o livro praticamente todo querendo ver como era, como iria ser mostrado aquilo e não querendo também, porque eu sabia que se fosse aparecer seria pelo ponto de vista de uma dos meus principais, e eu não queria que eles fossem fragmentados, então foi essa agonia e desespero durante toda a obra.

O romance é muito, muito sutil, não é o foco, mas está ali, escondidinho, mas presente.
Connor tem um temperamento forte, é guerreiro, um herói. Risa é muito inteligente, e com toda certeza uma sobrevivente. Lev é o personagem com a maior profundidade para mim, é aquele que faz ''merdas'', mas no fim você perdoa, que você quer sacudir, é também o que sofre maior mudança, porque a gente tem toda uma troca de ideologias nele, Lev criado para ser um dizimo, daí isso não acontece, de repente ele se vê em um mundo que não é bom e que vai de encontro com tudo que ele acreditava, então, ele questiona tudo, desde o seu valor, ao dos outros, ao de Deus, os da sua família e os da sociedade como um todo.      

''O garoto no canto da sua mente não fala com ele usando palavras. Ele sente. Ele se manifesta. Não entende que é apenas parte de outro menino. É como um sonho, quando você sabe de algumas coisas, e de outras deveria saber, mas não sabe. Esse garoto - ele sabe onde está, mas não sabe que não está inteiramente ali. Não sabe que agora faz parte de outra pessoa.'' 

Fragmentados foi uma distopia maravilhosa, eu queria que alguns pontos tivessem sido mais desenvolvidos, queria que tivesse mais histórias futuramente, em comparação o livro termina bem fechadinho, então, não sei se vem uma sequência por aí, mas foi uma louca leitura. Foi envolvente, sofrida, e daquelas leituras que te fazem pensar e questionar tanto a ficção quanto a realidade. Como toda a boa distopia, a molaridade, o social e o certo e o errado são colocados a prova, junto com os porquês sobre a alma, o mundo, o que as pessoas fazem com ele, e sobre essa prática que cruel ou não salva muitas vidas, e daí vem a grande questão: uma vida é mais importante que a outra? Qual vale mais? Se vale? E os Fragmentados? A vida acaba após fragmentação? E o fim? Ou um novo começo?
Leis! Verdades! Humanidade! 
Fragmentados de pedacinho em pedacinho deixa o leitor inteiramente LIGADO nessa história de matar! Recomendadíssimo!    

''Lobo frontal esquerdo.
 Eu... eu... eu não me sinto muito bem.
 Lobo occipital esquerdo.
 Eu... eu... eu não lembro onde...
 Lobo parietal esquerdo.
 Eu... eu... eu não consigo lembrar o meu nome, mas... mas...
 Temporal direito.
 ...mas ainda estou aqui.
 Frontal direito.
 Eu ainda estou aqui...
 Occipital direito.
 Ainda estou...
 Parietal direito.
 Estou...
 ...''

Paula Juliana

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