segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

[Seguinte] Especial Sarah Dessen - Os Bons Segredos e Uma canção de Ninar @Seguinte

[Seguinte] Especial Sarah Dessen - Os Bons Segredos e Uma canção de Ninar @Seguinte 


''A cada instante, havia infinitas chances de caminhos se cruzarem e vidas se chocarem, se unirem ou algo do tipo. Era incrível que fôssemos capazes de viver sabendo que tudo podia ocorrer por puro acaso. Mas qual era a alternativa?''

Terminar um bom livro sempre nós dá uma sensação de dever cumprido, e com uma boa história criamos um compartimento, com aquela bagagem emocional que é ativada com alguma citação, um objeto, uma palavra, uma lembrança. Os bons segredos foi uma obra CHEIA, recheada de sensações e emoções, situações que por tão simples fazem o leitor se identificar e criar uma ligação com a história!  

Quem nunca se sentiu invisível? Se sentiu em segundo plano, um mero observador em sua própria vida? Quando convivemos com pessoas, sendo na família, grupo de amigos, estudos ou trabalho é normal em algum momento não ser a pessoa em primeiro plano, todos temos problemas, ou dramas que não esperam você se curar, apenas batem em sua porta. Sidney nossa protagonista se considera uma pessoa invisível, passou a vida toda a sombra de seu irmão Peyton. Era sempre ele o mais bonito, carismático, popular, o grande filho, irmão, amigo, até que em determinado momento virou o grande problema, se metendo com pequenos crimes e drogas, porém continuando mesmo que de forma negativa a ser o centro de todas as atenções.

Como que em uma volta de carrossel a vida fez sua trajetória e Peyton fez algo que não tinha mais concerto. 
Uma noite. Um menino atropelado por um motorista bêbado. Um garoto presso em uma cadeira de rodas. Outro garoto trancado na prisão, pagando por seus erros.

Foi assim que Sidney se viu em um momento difícil de vida, sua convivência com seus pais estava cada dia mais complicada, uma mãe super protetora que não via o filho como um culpado, e sim como uma vítima, um pai que não tomava partido de nada, o irmão presso - esse agora um desconhecido, não o menino que cresceu com ela e um garoto que perdeu os movimentos das pernas. Sidney tomou a culpa toda para si, pois afinal alguém teria que fazer isso, não é?!

Apesar de tudo, um dia a menina invisível é notada, é em uma pizzaria, no meu de uma família tão unida e tão real que Sidney finalmente se sente parte de algo. Conhece Layla uma maluquinha menina apaixonada por batatas fritas, conhece Mac o irmão de Layla que não é só um rostinho bonito, entre pizzas, músicas, dramas, brincadeiras e muita amizade uma linda história se forma e Sidney passa finalmente a ser a grande protagonista de sua vida!

Sarah Dessen tem uma escrita despretensiosamente deliciosa. Comecei o livro sem expetativas nenhuma, sem saber muito bem o que iria encontrar e aos poucos fui sendo cativada, conquistada pelo drama e pelos personagens. É um livro jovem, mostra realidades e situações que poderiam facilmente acontecer com qualquer um. É uma obra madura, apesar da premissa com personagens novinhos ainda no ensino médio, os pensamentos, a narrativa, os assuntos abordados são ''coisas de gente grande''!

Três grandes destaques durante a leitura. 
Primeiro a relação de amizade entre Layla e Sidney e como ambas floresceram durante a história por causa dessa amizade. Segundo, as relações familiares e tantos temas que foram abordados, como a relação mãe e filha, a confiança, os limites de espaço que são muitas vezes ultrapassadas de ambos os lados, foi muito fácil entender e enxergar os pontos de Sidney, já que estávamos dentro de sua mente, vendo suas aflições, medos, culpas, e ao mesmo tempo sentindo que queria ser vista naquela família, ser entendida, ser escutada. Afinal, quem nunca? E terceiro, o romance mega fofo que se mostrou uma ponte firme entre toda a história e suas nuances. Mac é um personagem apaixonante, menino doce, esforçado, inteligente que até pouco tempo era o gordinho da família, o menino invisível, que se transformou no bonitão tímido que não gostava dos holofotes.

Os Bons Segredos é uma obra sensível. Mergulhei na leitura, nem senti suas 400 páginas, me envolvi com cada um dos personagens, ficando do lado de uns e totalmente contra outros, tomando as dores e seus amores. A simbologia da obra, suas fases, seu final calmo e ao mesmo tempo agoniante me fizeram amar a história e a escrita envolvente de Sarah Dessen. Uma história profunda, coberta de gentilezas e sutilezas que conquistam qualquer leitor! Recomendadíssimo!

''Quando nos vemos diante da coisa mais assustadora, só queremos voltar atrás, nos esconder no nosso lugar invisível. Mas não podemos. É por isso que o importante não é apenas sermos vistos, mas ter alguém que nos veja também.''

*Resenha original OS BONS SEGREDOS:



"Eu sabia que não havia garantias. Não tinha como saber o que viria a seguir para mim, ou para ele, ou para qualquer um. Algumas coisas não duravam para sempre, mas outras, sim. Como uma boa música, ou um bom livro, ou uma boa lembrança que se pode pegar e desdobrar nos piores momentos, segurando pelos cantos e olhando bem de perto, esperando reconhecer a pessoa que se vê ali.''

E tudo se resume ao amor! Não é ele que dá aquele sentido a vida? Que faz as pessoas acordarem felizes e destemidas, para enfrentar o que vêm pelo caminho?! APARENTEMENTE NÃO! Bem... não para nossa jovem protagonista que é para lá de descrente em relação ao tão superestimado AMOR! Remy essa garota durona e teimosa, cética e cheia de personalidade NÃO ACREDITA no amor! E Uma canção de Ninar vai contar o porque!!

Bárbara a mãe de Remy pode ter um pouco de culpa nessa história, depois de QUATRO casamentos, essa escritora romântica ainda não desistiu e está a caminho do quinto. Enquanto isso a filha Remy adotou a política do pega mais não se apega, com a sua vida social animada e suas amigas Lisa, Jess e Chloe, a garota vai aproveitar muito seu último ano antes de ir para a faculdade. 

"Eu já não tinha mais nenhuma ilusão a respeito do amor. Ele vinha, ele ia, deixava vítimas ou não. As pessoas não eram feitas para ficar juntas para sempre, independente do que diziam as músicas."

Remy tem sua filosofia, sua regra em relação aos garotos, ela nunca deixa ficar sério, não deixa ELES partirem seu coração e principalmente, NADA de ficar com MÚSICOS. 
O trauma em relação aos músicos se deve ao seu pai, que nunca conheceu, que na verdade faleceu quando a menina tinha os seus dois anos de idade, antes de partir ele escreveu uma música, uma canção de ninar! Essa que se faz muito presente na vida da menina até hoje. 

"E tudo se resumia a amor, ou a falta dele. Tudo que arriscamos, sem saber muito bem, ao nos apaixonarmos ou nos afastarmos e nos fecharmos, protegendo nosso coração com toda força."

Porém, é o último ano e Remy quer movimento, está pronta para um romance de verão, daqueles com prazo de validade, um amor de verão rápido e intenso. 
E acaba conhecendo Dexter, que é músico! Irônico, não?!!!
Ele está na cidade com sua banda de passagem. Dexter sente uma conexão, e procura ficar próximo de Remy. Ele faz a garota quebrar suas próprias regras, e tudo que terá é UMA Chance, somente uma chance com seu jeito louquinho, impulsivo e desajeitado de mostrar que o amor pode ser verdadeiro e fiel.

"Enquanto o resto do mundo seguia alheio, tomando o café, lendo o caderno de esportes e pegando as roupas na lavanderia, eu me inclinava para frente e beijava Dexter, fazendo uma escolha que mudaria tudo. Talvez em algum lugar houvesse uma reverberação, um salto, uma pequena mudança no universo, quase despercebida. Não senti naquela hora. Senti apenas que ele retribuía o beijo, me levando para a luz do sol enquanto eu me perdia no gosto de sua boca e sentia o mundo seguir seu rumo, como sempre havia feito, à nossa volta."

A história pode parecer clichê e até é, porém, funciona de uma maneira incrível
Assim como no primeiro livro da autora que li e me apaixonei loucamente, a escrita é fácil, leve e despretensiosa. É real, pode não ter inúmeras reviravoltas e surpresas, mas é o tipo de história que pode acontecer com qualquer um. 
Quantas vezes nos machucamos e deixamos de crer em algo? A vida pode ser cruel e quebrar muitas vezes o coração das pessoas. Remy não se deixava amar, tudo que conheceu e viu do amor a sua volta é que não dava certo, que não durava, que não era real. Precisou muitas voltas do destino e muito amadurecimento para quebrar essa convicção, e deve existir muitas Remys nesse mundo, e mutos Dexters também, a mensagem da narrativa é linda, é sensível, e com seus diálogos espirituosos e engraçados mostra que nunca é tarde para segundas chances. 

"Qual seria a sensação, me perguntei, de amar alguém tanto assim? A ponto de não conseguir se controlar quando a pessoa chegava perto, como se pudesse simplesmente se livrar de qualquer coisa que a estivesse segurando e se jogar sobre o outro com força suficiente para tomar conta dos dois?"

Uma canção de Ninar é bem desenvolvido, é leve, engraçado e fluído, uma leitura gostosa e agradável. Com personagens reais e marcantes, que amadurecem e crescem durante toda a narrativa, um Young Adult sobre autoconhecimento, quebra de tabus e preconceitos, dramas pessoais, humor, superação e acima de tudo AMORRecomendadíssimo!

''- Medo de quê? - perguntei.
- De arriscar - ela disse. - De se soltar e ceder, e é isso que nos transforma no que somos. Riscos. Isso é viver Remy. Ficar com tanto medo a ponto de nem tentar é um desperdício. Posso dizer que cometi muitos erros, mas não me arrependo de nada. Porque pelo menos sei que não passei a vida toda à margem, imaginando como seria viver."


*Resenha Original UMA CANÇÃO DE NINAR:

Paula Juliana

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