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CRÍTICA LITERÁRIA / O Bebedor de Horizontes - As Areias do Imperador # 3 - Mia Couto

CRÍTICA LITERÁRIA / O Bebedor de Horizontes - As Areias do Imperador # 3 - Mia Couto
 


O Bebedor de Horizontes - As Areias do Imperador # 3 - Mia Couto

Editora: Companhia das Letras


O volume que encerra a trilogia histórica de Mia Couto acompanha o fim da epopeia de captura do imperador Gugunhana pelos portugueses.

Mia Couto conclui sua fascinante trilogia com o romance histórico O bebedor de horizontes, que retrata a saga final do imperador moçambicano Gugunhana, o derradeiro grande governante de um império na África no século XIX. Neste último volume da trilogia, os prisioneiros do oficial Mouzinho de Albuquerque embarcam no cais de Zimakaze em um barco que parte em direção ao posto de Languene. De lá, irão seguir para o estuário do Limpopo e então iniciar a viagem marítima que conduzirá os africanos capturados para um distante e eterno exílio, em uma das ilhas dos Açores.
Com a comitiva segue Imani Nsambe, jovem negra que estudou numa missão católica e serve como intérprete entre os nativos e as autoridades portuguesas. Imani está grávida do sargento português Germano de Melo, alocado em outra parte de Moçambique. A tradutora narra os trágicos acontecimentos do final do império de Gaza, que se alternam no romance com as cartas do sargento.



CRÍTICA LITERÁRIA

''O final épico, emblemático e destruidor de uma das melhores trilogias histórica de guerra que já li. Aquele término amargo, duro e real e, acima de tudo, emocionante, que vai de uma só vez, destruir toda e qualquer réstia de esperança e deixar um buraco no fundo de sua alma. Apenas a triste realidade de um povo vencido. Outra e outra e outra vez.
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"O amor [...] é a mais passageira de todas as doenças mortais."
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E uma obra forte e cheia de levantes feministas, capazes de nos fazer sofrer e suspirar e refletir sobre a condição da mulher. Uma trilogia mágica, forte e bela. Para ler e reler, em várias fases da vida. Leitura obrigatória!''

site: www.instagram.com/upliterario

''Neste último volume da trilogia, Mia Couto continua valendo-se das cartas do sargento português Germano de Melo para Imani, que não são apenas cartas românticas (embora sejam também, e muito lindas), mas sim uma forma do autor compor uma estrutura polifônica e uma visão mais abrangente das relações entre colonizadores e colonizados. As cartas, como não poderia deixar de ser, nem sempre conseguem chegar ao destino. Será que existe um futuro em Portugal ou na África para o improvável casal e o filho que Imani espera? Afinal em uma das muitas citações que poderia destacar deste livro, esta em especial é pura poesia: "Ser mãe é um verbo que não tem passado".

"Nas cartas de amor a grande felicidade é receber a resposta antes mesmo de as escrever. Talvez seja por isso que iniciei esta carta vezes sem conta e, de todas as vezes, a deixei cair no chão. Nos meus pés descalços se imprimiram as palavras que nunca te foram enviadas. Não apanho esses rascunhos. Deixo-os órfãos, sobre a poeira do chão. São um tapete que teci para o teu regresso. Vou calcando palavras como na minha terra pisamos as uvas para que nasça o vinho.(...) O mais grave de tudo, minha querida, é que a guerra em Moçambique não terminou. Por isso te levam como tradutora. Esperam que faças bem mais que traduzir. Querem que sejas uma espia ao serviço da Coroa portuguesa. E é isso que me apoquenta. Ao contrabandear valiosos segredos enfrentarás sérios riscos. (...) Para consolo teu, deves pensar que a tua viagem não começou agora. Desde criança que estás emigrando de ti mesma." - Carta do sargento Germano (Págs. 51 a 53)

Durante a viagem, ocorre o que temia o sargento Germano na sua carta, ou seja, o ingrato trabalho de tradução realizado pela jovem Imani Nsambe acarreta muitos problemas. Entre carrascos e prisioneiros ela acaba sendo desprezada pelos africanos que desconfiam da sua fidelidade à causa do imperador Ngunguyane e, por outro lado, humilhada pelos portugueses para os quais é somente mais uma negra. Mia Couto encontrou, por meio da sua sofrida protagonista, uma forma de representar a difícil busca pela própria identidade, entre as tradições perdidas e a suposta modernidade. Pobres nações "colonizadas".''

Alexandre Kovacs / Mundo de K

Paula Juliana

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